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Dinheiro desviado em esquema de corrupção na Angola veio parar na Paraíba

Construções de luxo na Paraíba, o resort Mussulo – atualmente fechado – , e o Edifício Solar Tambaú, teriam sido construídos com dinheiro desviado de Angola pelo governo corrupto do país. O inquérito da Polícia Federal que investiga o caso foi detalhado em reportagem da Agência Pública.

O inquérito investiga o angolano José Carlos de Castro Paiva, figura de confiança do político que governou Angola por quase 40 anos – José Eduardo dos Santos. Castro Paiva foi durante 25 anos diretor-geral em Londres da poderosa estatal petrolífera angolana, a Sonangol.

De acordo com as investigações, Castro Paiva trazia milhões do exterior, por meio de contas estrangeiras em empresas em paraísos fiscais, irrigando os cofres do resort e do Solar Tambaú.

A investigação também envolve a filha mais velha de José Eduardo dos Santos, Isabel dos Santos, apontada pela Forbes como a mulher mais rica do continente africano, com um patrimônio estimado de US$ 2,3 bilhões. Ela é suspeita de ter desviado US$ 1 bilhão de recursos públicos para o seu patrimônio pessoal.

Investigações dão conta de que o dinheiro desviado por Isabel seria destinado a uma offshore chamada Investec, operada por Leonard Cathan, o mesmo especialista em transações financeiras que trouxe o dinheiro de Castro Paiva para a Paraíba.

A Agência Pública procurou José Carlos de Castro Paiva, assim como o empresário José Pina Ferreira, proprietário das empresas responsáveis pela construção do Mussulo e do Solar Tambaú, mas não obteve resposta de nenhum dos envolvidos.